
Curiosidades
Matemáticas
A misteriosa
razão áurea - o mais irracional dos números
regula a estética e a natureza.
O que há de comum entre pinturas
do período renascentista, obras arquitetônicas da
Antiguidade Clássica, a estrutura espiral de conchas de
alguns seres vivos marinhos e o crescimento populacional? Essa
pergunta pode parecer meio maluca, mas ela tem uma resposta matemática.
Esse assunto começou há cerca de 2500 anos, com a busca do modo
mais harmonioso e simétrico de dividir um segmento em duas partes.
Seria pelo seu ponto médio? A questão preocupou Euclides (330-275
a. C.), o matyemático grego autor de Os Elementos, obra fundamental
da geometria.
O resultado dessa misteriosa
divisão, simbolizada pela letra grega f
(lê-se "fi") é sempre 1,618034 ..., que ficou conhecido como razão
áurea. A proporção associada a ela também foi estudada pelo monge
Luca Pacioli, de Venza, no livro De Divina Proportione (Sobre
a proporção divina), de 1509.
Durante séculos, a secção áurea foi usada por pintores e arquitetos.
Hoje sabemos que f
regula também a espiral que acontece na natureza, como na margarida,
no girassol, na conha do molusco nautilo. A espiral fornece o
padrão matemático para o princípio biológico que regula o crescimento
da concha: o tamanho aumenta, mas o formato não se altera.
A sequência 1, 1, 2,
3, 5, 8, 13, 21, ..., correspondente aos lados dos quadrados que
montam essa espiral, é a mesma que o matemático italiano Fibonacci
(1180-1250), em seu livro Liber Abbaci, de 1202, calculou para
o crescimento das populações de coelhos a partir de um casal.
Em 1753, o escocês Robert Simson descobriu que dividindo-se esse
números pelos seus antecessores, obtém-se uma sequência de fraçõesque
se aproxima de f.Já
está demonstrado que fi é o mais mal aproximado por frações dos
números irracionais. O incrível é que a natureza usa justamente
o mais irracional dos números irracionais para melhor realizar
seus padrões.
(Antônio Geloneze Neto)
