Entrada de dólares soma US$ 15,8 bilhões em julho, a maior em 4 anos

O ingresso de dólares na economia brasileira somou US$ 15,82 bilhões em julho deste ano, o maior valor desde julho de 2007, quando a entrada de recursos na economia brasileira totalizou US$ 16,5 bilhões, segundo números divulgados nesta quarta-feira (3) pelo Banco Central.

A forte entrada de dólares no país registrada no mês passado foi influenciada pela medida do BC que obrigou os bancos a reduzir sua posição vendida no mercado de câmbio. Para reduzir essa posição vendida, os bancos são obrigados a comprar dólares. Os números da autoridade monetária mostram que as instituições financeiras foram buscar estes dólares no exterior, visto que mais de US$ 8 bilhões entraram no país na semana em que o ajuste foi determinado pelo BC.

O expressivo ingresso de divisas na economia brasileira também aconteceu em meio à forte crise de confiança que contaminou os mercados internacionais nas últimas semanas, com possibilidade, já afastada pelo Sendo dos Estados Unidos, de calote na dívida norte-americana e com crises nas contas públicas da Grécia, Itália, Irlanda e Portugal.

Acumulado do ano

Na parcial dos sete primeiros meses deste ano, o ingresso de divisas na economia brasileira, de acordo com a autoridade monetária, totalizou US$ 55,65 bilhões, com crescimento de 1.265% frente ao ingresso de recursos registrado em igual período do ano passado (+US$ 4,07 bilhões).

Contra todo ano de 2010, quando US$ 24,35 bilhões entraram no país, o crescimento foi de 128%. A entrada de dólares, na parcial de 2011, já é a segunda maior da história, mesmo sem o ano ter acabado, ficando abaixo apenas de 2007. Em todo aquele ano, US$ 87,45 bilhões ingressaram na economia brasileira.

Impacto na cotação do dólar

O ingresso de recursos no país, segundo analistas, teria correlação com a queda do dólar. A lógica seria que, com mais dólares no Brasil, o seu preço ficaria menor. Dólar baixo, por sua vez, gera perda de competitividade para as empresas brasileiras, uma vez que torna as exportações mais caras e as compras do exterior mais baratas. Para tentar compensar o dólar baixo, o governo anunciou nesta terça-feira (2) um pacote de estímulo à competitividade das empresas.

Na avaliação de alguns economistas, porém, a especulação dos bancos no mercado futuro também teria contribuído para o dólar baixo. Tanto que em junho, segundo eles, houve mais saída do que entrada de recursos no Brasil, no valor de US$ 2,55 bilhões, e, mesmo assim, o dólar recuou para R$ 1,55.

Medidas já adotadas

Para combater essa especulação no mercado futuro, o governo anunciou recentemente a tributação das posições vendidas dos bancos com derivativos por meio do IOF. Antes disso, o BC anunciou uma medida para baixar a posição vendida dos bancos no mercado de câmbio neste mês. No começo de 2011, o Banco Central anunciou uma medida semelhante, também para tentar baixar a posição vendida dos bancos no mercado de câmbio, que alcançou a marca de US$ 16,8 bilhões no mês de dezembro.

Antes disso, em outubro do ano passado, o Ministério da Fazenda anunciou a elevação do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicações de estrangeiros em renda fixa no país de 2% para 4%. No mesmo mês, subiu de novo o tributo para 6%, e estendeu sua cobrança às operações no mercado futuro (derivativos).

A autoridade monetária também anunciou, no começo de 2011, que voltaria a atuar com contratos de “swap cambial reverso” – operações que equivalem à compra de divisas no mercado futuro. A decisão que foi aplaudida pelo ministro Guido Mantega, uma vez que as aquisições no mercado futuro contribuem para uma queda menor, ou aumento do dólar, no mercado à vista.