Redução do IR para pessoa física não é consenso

Gabriela Murno, do Rio

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A redução da alíquota do Imposto de Renda para pessoas físicas, como estratégia para estímulo ao consumo, não é consenso entre especialistas, pois a redução da carga tributária elevaria a renda disponível para as famílias, . Para o professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, a iniciativa de reduzir a alíquota pode até ajudar a aumentar o consumo das classes média e alta. Mas, diz ele, o ideal seria a criação de mais faixas de alíquotas. “Hoje, só existem três faixas, que vão até 27,5%. O caminho poderia ser o de expandir estas faixas, taxando quem ganha mais e aliviando quem ganha menos. O fato é que o governo não tem mais espaço para renúncias fiscais. É possível melhorar a qualidade dos tributos.

No caso do IR, aumentando as faixas”, avalia Leite. Para Antenor Barros Leal, presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, a redução da alíquota só traz benefícios a curto prazo. “No longo prazo, o Brasil, que é muito dependente de investimentos, deveria estimular sua poupança interna. As duas ideias podem ser combinadas, mas é preciso lembrar que o futuro do país está no longo prazo”, diz.

Já Mauro Rochlin, professor de Economia do Ibmec/RJ, discorda da avaliação, pois, de acordo com ele, não é possível garantir que a redução da alíquota do IR gere consumo. “A diferença pode ir, por exemplo, para poupança”, explica. “Medidas, como a redução do IPI, têm uma eficácia maior, apesar do alto endividamento das famílias ter freado o consumo.”

Alcides Leite alerta, no entanto, que o maior problema do Brasil hoje não está no consumo e sim na falta de investimentos. Para ele, a política de estímulo ao consumo via aumento da renda e redução de juros está chegando no seu limite. “Não há mais condições de se insistir nesse tipo de política. Agora, é a vez da educação, da eficiência, do investimento. Passar do quantitativo para o qualitativo. A classe média tem uma taxação muito alta também, volto a dizer, sem retorno. O estado não devolve o que a classe média está pagando”, alerta Leite.

Mauro Rochlin concorda, mas ressalta que a redução das taxas de juros foi importante para o posicionamento dos bancos públicos.“ Com a redução das taxas pelos públicos, os bancos privados tiveram que fazer o mesmo, o que gerou algum efeito sobre o consumo, mas não o suficiente para assegurar o crescimento econômico esperado”, avalia. Disse ainda que apesar da pequena aceleração da economia no terceiro trimestre, as perspectivas para 2013 não são nada animadoras. “Além dos problemas internos, o cenário externo também tem forte influência. Se China e Estados Unidos voltarem a acelerar, as condições ficam mais favoráveis para a aceleração do crescimento brasileiro.”
Fonte: Brasil Econômico